Hérnia de Disco Cervical

   Pode parecer estranho falar de hérnia de disco na região do pescoço, porém, é uma patologia relativamente comum e que acomete principalmente indivíduos jovens em idade produtiva. Semelhante ao que ocorre na hérnia de disco na região lombar, a postura, realização de esforços físicos com postura incorreta, sedentarismo e tabagismo estão entre as causas mais comuns de herniação do disco entre as vértebras cervicais. Geralmente acomete paciente com idade média de 40 anos de idade, que trabalham em atividades sedentárias e que não tem atividade física regular, assim como não realizam alongamentos da musculatura cervical com freqüência.

            Os indivíduos portadores de tal patologia apresentam a queixa comum inicial de dor em região cervical e que, posteriormente, evolui para dor irradiada para um ou os dois braços, provocando um quadro do tipo disestesia, ou choque, ou formigamento, seguindo um trajeto específico no membro, sendo o trajeto mais comum o de dor irradiando para região lateral de braço, anterior de antebraço e atingindo a mão, provocando redução de força do membro e incômodo, dificultando a realização de atividades diárias.

            O quadro ocorre devido à desidratação do núcleo do disco localizado entre as vértebras cervicais associada à compressão entre as mesmas, provocando a “saída” do núcleo do mesmo para a região posterior da vértebra, onde está a medula cervical e as raízes nervosas que saem da coluna para se dirigir aos membros e restante do corpo.

            O quadro clínico mais comum é o descrito acima, ocorrendo em pacientes mais jovens, porém, em paciente com mais idade, geralmente acima dos 60 anos de idade, a hérnia de disco pode vir acompanhada de alterações ósseas da coluna cervical, provocando a compressão da medula, levando o paciente a apresentar dificuldades de movimentação de todo o corpo, com dificuldades para andar e de controlar os esfíncteres, não permitindo o controle da urina e das fezes, sendo esse um quadro mais avançado e de resolução cirúrgica.

            O diagnóstico é feito através do exame clínico, verificando a presença de comprometimento das raízes nervosas, verificando o trajeto, com posterior realização de manobras para a verificação de compressão das mesmas. A seguir se realiza exames de imagem, sendo a Tomografia Computadorizada o melhor exame a realizar em pacientes mais idosos, para verificar o comprometimento ósseo da coluna espinhal. Em pacientes mais jovens, o exame considerado como padrão ouro para o diagnóstico da hérnia cervical, bem como para pacientes mais idosos com comprometimento apenas de raízes cervicais, sem sinal de compressão medular, é a Ressonância Nuclear Magnética, que se presta a examinar de maneira muito melhor as partes moles que compõem a coluna e medula espinhal.

            O tratamento é realizado, inicialmente, de maneira clínica, exceto nos casos de compressão radicular ou medular muito severa e nos casos de herniação discal pós-traumática, ou seja, após acidentes de trânsito ou quedas, sendo que após o tratamento clínico por cerca de 30 dias, se não houver melhora do quadro a indicação é de cirurgia para descompressão da coluna cervical. O tipo de cirurgia e a utilização de placas ou parafusos para fixação da coluna dependem de cada caso, devendo o caso ser estudado junto ao médico assistente para avaliar a melhor opção para cada caso. O Neurocirurgião que estiver o atendendo apresenta a capacitação para oferecer as melhores opções em cada caso.



 

 

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